Barack Obama e o fracasso das esperanças de uma 'nova era'
Escrito por Claudinei Vieira   
Sex, 04 de Dezembro de 2009 02:28

Estou um tanto surpreso com a relativa falta de repercussão do discurso realizado por Barack Obama em West Point há três dias quando anunciou o envio de mais trinta mil soldados norte-americanos para o Afeganistão. 
 
É um discurso inteligente, como costuma ser os de Obama. Separemos, no entanto, as ambiguidades  e as contradições, focalizemos nos atos concretos e jogando fora as promessas vazias (que podem ser facilmente descartadas quando a situação o exigir), o que se observa na prática objetivamente é o total alinhamento e continuidade do trabalho para a escalada da guerra na região. Obama evita as armadilhas óbvias e as mentiras mais descaradas de um George Bush, não fala em termos de guerras santas, esconde cuidadosamente a palavra 'vitória' (trocada por 'sucesso'), mas no fundo e ao cabo, a mensagem é escancarada e pode ser resumida em algumas poucas frases: Vamos sair do Afeganistão. Daqui a quanto tempo não é possível ter certeza (já que depende das 'circunstâncias' da retirada) (opa, não lembro se a palavra 'retirada' foi citada), mas a pretensão é de que seja em dois anos, mais ou menos. Para garantir isso precisamos mandar muitos mais soldados do que existem no momento. Vejam o exemplo do Iraque. Pois não podemos deixar os talibans voltarem. Pela segurança dos Estados Unidos. 
 
Tirando a inexpressividade oratória de Bush e sua retórica pseudo-religiosa-fundamentalista, não há, em nenhuma medida, diferença na política de Barack Obama.
 
As batalhas a que Obama se propõe são portentosas (sendo que ainda estou partindo do princípio de sua sinceridade para essa luta), tanto as internas quanto externas, e nenhuma possibilidade de qualquer uma delas ser resolvida em apenas um ano. No entanto, pode-se, pelo menos, enxergar qual é a tendência, qual o caminho que começou a ser trilhado. Qual o panorama está sendo mostrado.
 
Em um ano, Obama voltou atrás em relação a Guantánamo e 'compreendeu' que não seria tão fácil desativar a base. Em um ano, aconteceu a vergonha de Honduras e o abominável tratamento 'diplomático' norte-americano, escancarando-se qual a atitude típica que se pode esperar dos Estados Unidos para a América Latina. Em um ano, assumiu-se que para sair do Afeganistão é preciso aumentar os efetivos de tropas. 
 
Posso estar sendo tendencioso ou cético em demasia. Não quero tomar frases desconexas e separadas do contexto. Portanto, AQUI dá para assistir, em vídeo legendado, o discurso proferido por Obama e AQUI reproduzo o texto da transcrição completa, traduzida por Caia Fittipaldi. Fique à vontade, leia, e troquemos impressões.
obama_West_Point.jpg
 
 
 
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