Maria da Penha

"Maria da Penha, a mulher que sobreviveu à tentativa de assassinato pelo marido e virou nome de lei
Maria da Penha Maia Fernandes é uma sobrevivente. Seu marido tentou matá-la duas vezes. A primeira, com um tiro nas costas que a deixou paraplégica. A segunda, ele trocutada no chuveiro. Ela foi à forra – além de prender o criminoso, batizou a lei que protege a mulher vítima da vio lência doméstica
REVISTA TPM: "Maria da Penha tem sono pesado. Capota e só acorda no dia seguinte. Na madrugada de 29 de maio de 1983, porém, teve seu repouso interrompido pelo pior pesadelo da vida. “Acordei de repente com um forte estampido dentro do quarto. Abri os olhos. Não vi ninguém. Tentei me mexer. Não consegui. Imediatamente fechei os olhos e um só pensamento me ocorreu: ‘Meu Deus, o Marco me matou com um tiro’. Um gosto estranho de metal se fez sentir forte na minha boca, enquanto um borbulhamento nas costas me deixou perplexa.” Entre desmaios e devaneios, a mulher, então com 38 anos, tinha momentos de consciência. Por mais que estivesse acostumada com os gritos, as explosões de fúria e os empurrões do marido, Penha custava a acreditar que fora alvejada por um tiro de espingarda disparado pelo homem que escolheu para ser pai de suas três filhas (na época com 6, 5 e 1 ano e 8 meses). Não concebia tamanha covardia. “Quando os vizinhos chegaram ao meu quarto, demoraram a perceber o ferimento, pois eu estava de costas, com o sangue escorrendo no colchão.” Para acobertar sua intenção diabólica de assassinar a própria mulher em pleno sono, Marco se fantasiou de vítima de um suposto assalto: rasgou o pijama, pôs uma corda no pescoço e disse para a polícia que havia sido atacado por uns bandidos. O teatro não funcionou. Mas a verdade demorou, demorou quase 20 anos a aparecer e levar o economista e professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros para onde devia estar há tanto tempo: atrás das grades.
Os quatro meses seguintes após a tentativa de homicídio foram de cirurgias em hospitais de Fortaleza, onde Penha nasceu, e de Brasília. Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica bioquímica formada pela Universidade Federal do Ceará e mestre em parasitologia pela USP, resistiu firme, mas sua vida não seria mais a mesma. “Após vários exames, chegou a hora da avaliação que diria se eu ia voltar a andar ou não. Como profissional da saúde, antevia o fatídico diagnóstico. Como paciente, ousava
sonhar, pedir aos meus santos... Enfim, declararam: nunca mais andaria.” De volta para casa, na cadeira de rodas, Penha ainda teve que fazer força para escapar de outra atrocidade do marido: ele tentou eletrocutá-la embaixo do chuveiro. Marco, então, foi embora para ficar com uma amante no Rio Grande do Norte.
sonhar, pedir aos meus santos... Enfim, declararam: nunca mais andaria.” De volta para casa, na cadeira de rodas, Penha ainda teve que fazer força para escapar de outra atrocidade do marido: ele tentou eletrocutá-la embaixo do chuveiro. Marco, então, foi embora para ficar com uma amante no Rio Grande do Norte.
Ela mudou a história
E Penha transformou sua existência na luta pelos direitos das mulheres que sofrem com a violência doméstica. Em 2001, conseguiu que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenasse o Brasil por negligência e omissão pela demora na punição do marido. Daí a semente para que, em 2006, o presidente Lula sancionasse a lei 11.340, a lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência familiar contra a mulher e prevê que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada. Além disso, aumenta a pena máxima de um para três anos de detenção e acaba com o pagamento de cestas básicas , como acontecia anteriormente com os agressores. Hoje, Penha é colaboradora de honra da Coordenadoria de Mulher da Prefeitura de Fortaleza, dá palestras em faculdades e recebe homenagens por todo o país. Ela acredita que o ex-marido viva no Rio Grande do Norte. Em um sábado de sol e calor (será que algum dia faz frio em Fortaleza?), Maria da Penha recebeu, em casa, a reportagem da Tpm para lembrar dos dias mais dramáticos e dos mais felizes de seus 63 anos.
Maria da Penha: uma entre muitas
A lei que pune e coíbe a violência contra mulheres leva o nome da brasileira que lutou por quase 20 anos para ver seu agressor atrás das grades. Páginas VermelhasTpm # 82), Maria da Penha é um caso extremo do que acontece todos os dias com milhões de mulheres no Brasil e no mundo. Mas ainda hoje a violência contra mulheres atinge números assustadores. Os números abaixo são prova disso. Vale dar uma olhada. Dormir com o inimigo não é algo tão raro assim
Por Paula Rothman
- Segundo a OMS, 70% das mulheres assassinadas no mundo são vítimas de seus próprios companheiros.
- Um em cada cinco dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.
- No Brasil, o Ibope mostra que 33% da população aponta a violência contra as mulheres como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade – mais do que o câncer de mama e o de útero (17%) e a Aids (10%).
- No Brasil, mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados atuais e antigos.
- Na mesma pesquisa, 14% dos entrevistados acreditam que a mulher deve agüentar agressões em nome da estabilidade familiar.
- 19% dos homens admitem que existem situações que permitem a agressão, assim como 13% das mulheres. 68% da população brasileira conhece a lei Maria da Penha e sabe da sua eficácia (83%).
- Em 2005, nos primeiros quatro meses de funcionamento do telefone nacional da Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, houve 14.417 denúncias.
- Depois da aprovação da lei Maria da Penha, em 2006, as denúncias deram um salto: de janeiro a junho de 2008, foram registrados 121.891 atendimentos, um número 107,9% maior que no mesmo período de 2007 (58.417).
- A busca por informações no Ligue 180 sobre a lei Maria da Penha no primeiro semestre de 2008 cresceu 346% – foram 49.025 este ano contra 11.020 no primeiro semestre de 2007.
- Em 61,5% das denúncias de violência registradas no Ligue 180, as usuárias do serviço declaram sofrer agressões diariamente.
- Em 63,9% dos casos, os agressores são os próprios companheiros.
Comentários (0)
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muito bom isso.
lembro do unico filme que tinha ele que nao eraaa nojento porco uma porcaria como ghost o lixoooooooo,dirty dancyng somente e n...
que delicia ver meu poema aqui beijos
Hijak, espero não ter dado a impressão de achar que todos os editores sejam pilantras. Não são. Como você bem lembrou, até conh...
Henrique, não vejo problema nos enredos dos livros do Mankell, tanto que até cito a utilização de clichês ser bem comum em obra...
Clauds, É óbvio que o dito cujo é discípulo da lei de Gerson ou mais óbvio ainda....é algum editor! Conheço vários editores pi...
Respeito sua opinião, e concordo até certo ponto, Kurt e suas "aventuras" são previsíveis mesmo, mas o modo "comum&...
Achei muito engraçado o comentário desse aí que se assinou como 'abc da literatura'. Em primeiro lugar, como respeitar a opiniã...
se o tradutor verdadeiro tá pouco se lixando ou revirando na tumba... fazer o quê? achado não é roubado
Se a lingua portuguesa fosse ensinada assim na escola seria muito mais fácil aprender, não é?
oaiudshaosduiahsdouiash to em cagando de rir....aosiudhasodiauhsdasdasd
Normalmente quando algum jornalista escancara é por que quer ganhar algo em troca.... Mas tudo bem , pelo menos a mulher tem pe...
Concordo plenamente, claro! Aliás, plagiando o velho deitado chinês (ou é mineiro?): uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra...
conhece editores pilantras assim e que seriam capaz de coisas piores...mas plagiando o JL Borges, fiquemos com a literatura.......
Hijak, entendo o que você quer dizer, mas a questão aqui não é de âmbito literário, nem sequer artistíco. É roubo. A editora co...
Poh Clauds, Plágio só deveria ser crime quando o for um auto plágio.rs......demais é literatura...é muita pretensão querer f...
li o depoimento dela na época do estupro, traduzidos pelo escritor marcelo rubens paiva e postados em seu site. Polanski fez...
Á conheço desde 99,,,e sempre fui muito bem recebido por ela dentro do salão ,,,acho o cúmulo o que fizeram com ela ,,,ninguém...
É um aburdo uma pessoa matar seu patriota sob a falsa legalidade de que se trata de comunista. Esses imbecis da ditatura, pelo ...
Pois é, Ana, quem mexe com blogs e sites, qualquer espaço virtual, acaba topando com esses chatos. Grande beijo. Hijak, realmen...