| OBAMA À NAÇÃO: AFEGANISTÃO E PAQUISTÃO |
| Escrito por Claudinei Vieira |
| Sex, 04 de Dezembro de 2009 02:05 |
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OBAMA À NAÇÃO: AFEGANISTÃO E PAQUISTÃO Eisenhower Hall Theatre, Academia Militar dos EUA, West Point, New York
O PRESIDENTE: Boa-noite. Corpo de Cadetes dos EUA, homens e mulheres de nossas Forças Armadas, meus concidadãos: Quero falar-lhe hoje sobre nosso esforço no Afeganistão – a natureza de nosso envolvimento, nossos interesses e objetivos e sobre a estratégia que meu governo implementará para levar essa guerra a termo bem-sucedido. É extraordinária honra para mim fazê-lo daqui, de West Point – onde tantos homens e tantas mulheres prepararam-se para defender nossa segurança e representar o que de melhor temos em nosso país. Para tratar essas importantes questões, é preciso lembrar, em primeiro lugar, por que os EUA e nossos aliados fomos compelidos a lutar essa guerra no Afeganistão. Não buscamos essa guerra. Dia 11/9/2009, 19 homens sequestraram quatro aviões e os usaram para assassinar cerca de 3.000 pessoas. Atacaram os centros nervosos de nossa segurança militar e de nossa economia. Roubaram a vida de homens e mulheres e crianças inocentes, sem qualquer consideração à fé, à raça ou ao local onde estavam. Não fosse a reação heróica dos passageiros de um daqueles aviões, poderiam ter atacado um dos maiores símbolos de nossa democracia em Washington e matado muitos mais. Como sabemos, esses homens são ligados à Al-Qaeda – grupo de extremistas que distorceram e descaracterizaram o Islã, uma das maiores religiões do mundo, para assim justificar o massacre de inocentes. A base de operações da Al-Qaeda estava no Afeganistão, onde estavam protegidos pelos Talibã – movimento cruel, repressivo e radical que controlava aquele país depois de devastado pela ocupação soviética e por uma guerra civil, e depois de a atenção dos EUA e nossos amigos ter-se desviado noutra direção. Poucos dias depois do 11/9, o Congresso dos EUA autorizou o uso de força contra a Al-Qaeda e todos que lhes dessem abrigo – autorização que permanece válida até hoje. A autorização foi aprovada no Senado por 98 votos a zero; na Câmara de Deputados, por 420 votos a 1. Pela primeira vez na história, a OTAN invocou o Artigo 5º – que diz que ataque contra um dos membros da Organização é ataque contra todos. O Conselho de Segurança da ONU endossou o emprego de todos os meios necessários para responder aos ataques do 11/9. Os EUA, nossos aliados e o mundo, agiram como força unificada para destruir a rede terrorista Al-Qaeda e proteger noss a segurança comum. Sob a bandeira dessa unidade doméstica e dessa legitimidade internacional – e só depois de os Talibã terem-se recusado a entregar Osama bin Laden – enviamos nossas tropas para o Afeganistão. Em apenas alguns meses a Al-Qaeda foi destroçada e vários de seus agentes, mortos. Os Talibã perderam poder político e tiveram de retroceder. País que só conhecera décadas de medo, passou a ter motivos para novas esperanças. Em conferência convocada pela ONU, estabeleceu-se um governo provisório para o Afeganistão, sob a presidência do presidente Hamid Karzai. E estabeleceu-se uma Força Internacional de Assistência à Segurança [ing. International Security Assistance Force, ISAF], para ajudar a levar uma paz duradoura a um país devastado pela guerra. Então, no início de 2003, tomou-se a decisão de iniciar uma segunda guerra, no Iraque. O complexo debate sobre a guerra do Iraque é bem conhecido e não interessa repeti-lo aqui. Basta dizer que, nos seis anos seguintes, a guerra do Iraque consumiu grande parte de nossas tropas, nossos recursos, nossa diplomacia e nossa atenção nacional – e que a decisão de invadir o Iraque causou dificuldades consideráveis nas relações entre os EUA e boa parte do mundo. Hoje, depois de gastos extraordinários, estamos levando a guerra do Iraque a termo responsável. Retiraremos nossas brigadas de combate do Iraque até o final do próximo verão, e todas as nossas tropas até o final de 2011. Que o façamos desse modo é prova do caráter e da força de nossos homens e mulheres em uniformes. (Aplausos.) Graças à coragem deles, à sua força e à sua perseverança, demos aos iraquianos boa chance de modelarem o próprio futuro; fomos bem-sucedidos no Iraque e, agora, o deixamos entregue ao seu povo. Porém, enquanto avançamos milha a milha, com sacrifício mas com sucesso, no Iraque, a situação no Afeganistão deteriorou-se. Depois de fugir pela fronteira, para o Paquistão, em 2001 e 2002, os líderes da Al-Qaeda estabeleceram lá um paraíso seguro. Embora o povo afegão tenha eleito governo legítimo, continua a sofrer sob ondas de corrupção, com o tráfico de drogas, por causa da economia subdesenvolvida e pelas insuficiências de suas forças de segurança. Ao longo de vários anos, os Talibã permaneceram aliados à mesma causa comum, com a Al-Qaeda, quando os dois lados buscavam derrubar o governo afegão. Gradualmente, os Talibã começaram a controlar fatias cada vez maiores do território afegão, ao mesmo tempo em que continuavam a praticar ataques terroristas devastadores contra o povo paquistanês. Durante todo esse período, o nível de soldados dos EUA no Afeganistão sempre foi apenas uma fração do número de soldados que estavam no Iraque. Quando assumi o governo dos EUA, havia apenas 32 mil norte-americanos servindo no Afeganistão; no Iraque, no pico da guerra, foram 160 mil. Os comandantes militares no Afeganistão repetidamente pediam apoio e reforços na luta contra a reemergência dos Talibã – apoio e reforços que nunca chegaram. Por isso, logo depois de tomar posse, aprovei um pedido para envio de mais soldados. Depois de consultar nossos aliados, anunciei uma estratégia, pela qual se recon hecia a conexão fundamental entre nosso esforço de guerra no Afeganistão e o advento de um paraíso seguro onde nossos inimigos extremistas abrigavam-se no Paquistão. Defini um objetivo que se resume em “desmontar, desmantelar e derrotar” a Al-Qaeda e seus aliados extremistas, e implica coordenar mais detalhadamente nossos esforços militares e civis. Desde então, fizemos progressos em algumas áreas e objetivos importantes. Foram mortos vários altos líderes da Al-Qaeda e do Talibã, e aumentamos a pressão sobre a Al-Qaeda em todo o mundo. No Paquistão, o exército paquistanês empreendeu sua maior ofensiva em anos. No Afeganistão, os EUA e nossos aliados evitaram que os Talibã boicotassem a eleição presidencial e – embora tenha sido maculada por fraudes –, aquela eleição gerou um governo consistente com as leis e a Constituição do Afeganistão. Ainda restam desafios enormes a superar. O Afeganistão não está perdido, mas há muitos anos caminha para trás. Não há qualquer ameaça iminente de golpe para derrubar o governo, mas os Talibã ganharam força e impulso. A Al-Qaeda não se reorganizou no Afeganistão nos números e dimensões de antes de 11/9, mas controlam várias regiões ao longo da fronteira. E nossos soldados carecem do pleno apoio e suporte indispensável para que deem treinamento efetivo às forças de segurança afegãs e melhores condições efetivas de segurança à população. Nosso novo comandante no Afeganistão – General McChrystal – relatou que a situação da se gurança é mais grave do que ele previra. Em resumo: a situação lá é insustentável. Como cadetes, vocês apresentaram-se como voluntários para servir nesses tempos de perigos. Alguns de vocês combateram no Afeganistão. Alguns de vocês serão enviados para lá. Como seu Comandante-em-Chefe, devo-lhes entregar missão bem claramente exposta e definida, e que valha o empenho de vocês. Por isso, depois que se completaram as eleições no Afeganistão, insisti em que se procedesse profunda revisão de nossa estratégia. Agora, sejamos claros: jamais se apresentou, para que eu considerasse, qualquer opção que implicasse envio de tropas ou recursos antes de 2010. Portanto, não houve qualquer demora nem se negaram recursos solicitados, durante o tempo em que se revisou a estratégia para o Afeganistão. De fato, a revisão permitiu-me propor as questões indispensáveis e explorar a fundo as diferentes opções – com minha equipe de segurança nacional, nossas lideranças civis e militares no Afeganistão e nossos parceiros-chave. Fiz o que é e sempre foi meu dever, para o povo norte-americanos e para nossos soldados. A revisão agora está completa. Com o Comandante-em-Chefe, determinei que é do nosso vital interesse nacional enviar mais 30 mil soldados dos EUA, ao Afeganistão. Depois de 18 meses, nossos soldados começarão a voltar para casa. Esses são os recursos necessários para assumirmos o controle, ao mesmo tempo em que construímos a capacidade dos afegão que permitirá uma transição responsável, e nossa completa retirada do Afeganistão. Essa não foi decisão fácil, nem simples. Sempre me opus à guerra do Iraque precisamente porque creio que temos de aprender a moderar o uso de força militar, e considerar, sempre, as consequências de longo prazo de nossas ações. Estamos em guerra há oito anos, com custos gigantescos, em termos de vidas e recursos. Anos de debate sobre Iraque e terrorismo reduziram a cacos a nossa unidade em matéria de segurança nacional e c riaram discussões fortemente polarizadas sobre nosso esforço de guerra. Tendo conhecido agora a pior crise econômica desde a Grande Depressão, o povo norte-americano está compreensivelmente mais focado em reconstruir nossa economia e criar empregos para todos aqui mesmo, em casa. Sei, sobretudo, que essa decisão exige ainda mais de vocês – militares aos quais cabe, com suas famílias, suportar o fardo mais pesado. Como Presidente, enviei uma carta de condolências à família de cada norte-americano que deu a vida nessas guerras. Li cartas de pais, mães, esposas e maridos dos que tombaram. Visitei nossos guerreiros feridos em Walter Reed. Estive em Dover para receber os caixões cobertos com a bandeira dos EUA, de 18 norte-americanos que voltavam para sua última morada, em solo dos EUA. Vi de perto os horrores da guerra. Se não soubesse que a segurança dos EUA e a segurança do povo americano dependem do que estamos fazendo no Afeganistão, com que alegria eu ordenaria que todos os nossos soldados voltassem para casa hoje, amanhã! Portanto, não, não foi decisão simples e fácil. Decidi como decidi porque estou convencido de que nossa segurança depende do que façamos no Afeganistão e no Paquistão. Ali é o epicentro do extremismo violento praticado pela Al-Qaeda. Os ataques que sofremos dia 11/9 partiram de lá – e agora, enquanto lhes falo, novos ataques estão sendo planejados. Não são perigos inventados; não são ameaças hipotéticas. Nos últimos meses, prendemos extremistas em nosso território, mandados para cá da região da fronteira entre Afeganistão e Paquistão para cometerem novos atos terroristas. E esse perigo só crescerá, se houver retrocesso na região, e a Al-Qaeda puder operar impunemente. Temos de manter pressão total sobre a Al-Qaeda e, para fazê-lo, é indispensável que nossos parceiros na região sejam estabilizados e conquistem mais capacidades. Cla ro que não somos os únicos a carregar esse fardo. Essa não é guerra exclusiva dos EUA. Desde o 11/9, os paraísos seguros da Al-Qaeda têm sido origem de ataques contra Londres, Amã e Bali. Povo e governo do Afeganistão e do Paquistão estão sob risco. E o risco é ainda maior dentro de um Paquistão nuclear, porque sabemos que a Al-Qaeda e outros extremistas trabalham para ter acesso a bombas nucleares, e temos boas razões para crer que, podendo, eles as usarão. Esses fatos nos obrigam a agir ao lado de nossos amigos e aliados. Nosso principal objetivo é sempre o mesmo: desmontar, desmantelar e derrotar a Al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão, e impedir que, no futuro, continuem a ameaçar os EUA e nossos aliados. Para alcançar esse objetivo, perseguiremos os seguintes objetivos, no Afeganistão. Temos de impedir que a Al-Qaeda encontre ali os paraísos seguros de que necessita. Temos de deter o impulso dos Talibã e impedir que tenham acesso a meios para derrubar o governo. E temos de aumentar a capacidade do governo e das forças de segurança do Afeganistão, de modo que possam encarregar-se plenamente de cuidar do futuro do Afeganistão. Para alcançar esses objetivos, definimos três vias. Primeiro, nos próximos 18 meses, implementaremos uma estratégia militar que deterá o impulso dos Talibã e aumentará a capacidade do Afeganistão. Os 30 mil soldados adicionais cujo envio anuncio hoje partirão nos primeiros meses de 2010 – o mais rapidamente possível – para enfrentar a insurgência e ampliar a segurança da população nos principais centros urbanos. Com eles, aumentará nossa capacidade para oferecer treinamento competente às forças de segurança afegãs, de modo que mais afegãos possam ser mobilizados para os combates. Com mais afegãos, melhorarão as condições de os EUA transferirem responsabilidades para os afegãos. Porque nosso esforço é esforço internacional, exigi que nosso compromisso seja partilhado com nossos aliados. Vários já ofereceram novos contingentes de soldados, e confiamos que os demais os seguirão, nos próximos dias e semanas. Nossos amigos lutaram, sangraram e morreram ao nosso lado, no Afeganistão. Agora, devem vir conosco, todos juntos, para alcançarmos um final bem-sucedido nessa guerra. Dadas as reais circunstâncias e o quanto depende desses passos, não se trata, apenas, de um teste para a credibilidade da OTAN. Trata-se, sim, de garantir a segurança de nossos aliados e a segurança comum, partilhada, de todo o mundo. Mas somados, os soldados norte-americanos e de outras nacionalidades que serão enviados agora, nos permitirão acelerar o processo de passar a responsabilidade a mãos afegãs, de modo que possamos começar a retirada de nossos soldados, do Afeganistão, em julho de 2011. Como fizemos no Iraque, a transição será feita de modo responsável, consideradas as condições objetivas em campo. Continuaremos a aconselhar, assessorar e auxiliar as Forças de Segurança do Afeganistão, para que, no longo prazo, sejam bem-sucedidas. Mas diremos bem claramente ao governo afegão – e, mais importante, também ao povo afegão – que cabe a eles, em última inst ância, responsabilizar-se pelo próprio país. Em segundo lugar, trabalharemos com nossos parceiros e aliados, a ONU e o povo afegão, para manter estratégia civil mais efetiva, de modo que o governo possa beneficiar-se das melhores condições de segurança. Esse esforço deve basear-se em desempenho. Passaram-se os tempos de entregar cheques em branco. Em seu discurso de posse, o presidente Karzai enunciou a mensagem certa, sobre andar em nova direção. Andando para a frente, temos de ser muito claros sobre quem receberá nosso apoio. Apoiaremos ministros afegãos, governadores e líderes locais afegãos que combatam a corrupção e trabalhem pelo povo. Esperamos que os ineficientes ou corruptos sejam identificados, julgados, punidos e afastados do governo. Além disso, nossa assistência estará concentrada em áreas – como a agricultura – que podem ter impacto imediato na vida do povo afegão.< /span> O povo afegão enfrenta violência há décadas. Enfrentaram a ocupação – pela União Soviética e, depois, por combatentes estrangeiros da Al-Qaeda que usam o Afeganistão como base de operações. Hoje, quero ser muito claro, e que o povo afegão me entenda bem – os EUA querem por fim a essa era de guerra e sofrimento. Não temos interesse em ocupar seu país. Apoiaremos os esforços do governo afegão para abrir as portas aos Talibã que abandonem a violência e respeitem os direitos humanos de todos os cidadãos. Buscamos uma parceria com o Afeganistão, baseada em respeito mútuo – para isolar os que trabalham pela destruição; para fortalecer os que trabalham para construir; para que chegue logo o dia em que nossos soldados possam sair do Afeganistão; e para construir uma amizade duradoura, na qual os EUA sejam parceiros do Afeganistão, não seu patrão. Em terceiro lugar, agiremos com plena consciência de que o sucesso dos EUA no Afeganistão está inextricavelmente ligado à nossa parceria com o Paquistão. Estamos no Afeganistão para impedir que um câncer se espalhe novamente, numa nova metástase, por todo o país. Mas esse mesmo câncer já lançou raízes na região da fronteira com o Paquistão. Por isso precisamos construir uma estratégia que opere dos dois lados da fronteira. No passado, houve, no Paquistão, quem dissesse que a luta contra os extremistas não era sua luta, e que o Paquistão estaria melhor se não se imiscuísse ou se buscasse viver em acordo com os que militam pela violência. Em anos recentes, contudo, tantos inocentes morreram, de Karachi a Islamabad, que já não há como não ver que o povo paquistanês é, hoje, o mais ameaçado pelo extremismo. A opinião pública mudou de orientação. O exército paquistanês avança no Swat e no Waziristão Sul. E não há dúvidas de que os EUA e o Paquistão têm de enfrentar um inimigo comum. No passado, muitas vezes os EUA definiram de modo muito estreito nossas relações com o Paquistão. Esses dias acabaram. Marchando adiante, estamos comprometidos em uma parceria com o Paquistão construída sobre bases de mútuo interesse, mútuo respeito e mútua confiança. Fortaleceremos a capacidade do Paquistão para enfrentar aqueles grupos que ameaçam nossos países. E não toleraremos que se ofereçam paraísos seguros a terroristas cuja localização é sabida e cujas intenções todos conhecemos. Os EUA também fornecerão recursos em quantidade substancial para apoiar a democracia e o desenvolvimento no Paquistão. Somos o maior apoiador inte rnacional com que contam os paquistaneses obrigados a abandonar suas casas por efeito dos combates. Além disso, o povo paquistanês deve saber também que os EUA continuarão a apoiar fortemente a segurança e a prosperidade do Paquistão também depois que silenciem os canhões, de modo que nada se perca do grande potencial desse povo. Eis, em resumo, os três elementos-chave de nossa estratégia: esforço militar para criar condições para uma transição; esforço civil para reforçar a ação positiva; e parceria efetiva com o Paquistão. Reconheço que muitos se preocupam ainda com essa nova abordagem. Quero então dirigir-me aos que enunciaram algumas das principais objeções que tenho ouvido – e que considero muito seriamente. Primeiro, os que dizem que o Afeganistão seria outro Vietnã. Dizem que o Afeganistão não poderá ser estabilizado e que melhor seria conter nossas perdas e organizar rápida retirada de nossos soldados. Creio que esse argumento repousa sobre uma falsa leitura da história. Diferente do que houve no Vietnã, somos hoje parte de uma ampla coalizão de 43 nações que reconhecem a legitimidade de nossa ação. Diferente do Vietnã, não enfrentam os hoje qualquer resistência localizada na própria população. E, ainda mais importante: diferente do Vietnã, o povo norte-americano sofreu ataque violento, de grupo organizado no Afeganistão, e continua a ser alvo dos mesmos extremistas que continuam ativos e organizados na região da fronteira. Retirar-nos hoje e abandonar essa área – e confiar nos resultados de alguma ação à distância contra a Al-Qaeda – reduziria muito nossa capacidade para pressionar a Al-Qaeda e criaria o inaceitável risco de que se organizem novos ataques contra nós e nossos aliados. Segundo, há os que reconhecem que não podemos sair do Afeganistão estando o país nas atuais condições, e sugerem que avancemos com as tropas que já estão lá. Mas essa estratégia apenas manteria um status quo que já conhecemos e que levará à lenta e contínua deterioração das condições lá existentes. No final, provar-se-ia soluçÍ ?o ainda mais cara e prolongaria nossa estada no Afeganistão, porque não se conseguiria gerar as condições necessárias para podermos treinar forças afegãs de segurança e dar-lhes condições para assumir o controle do país. Finalmente, há os que se opõem a que se limite um prazo para completar a transição e entregar o Afeganistão à responsabilidade dos afegãos. De fato, alguns têm falado de escalada mais dramática, sem prazo delimitado para a retirada e o fim de nosso esforço de guerra – esforço que nos comprometeria com um projeto de construção nacional por mais de uma década. Rejeito essa alternativa, porque fixa objetivos superiores aos que se pode aspirar a custo razoável, diferentes do que temos de obter para garantir nossos interesses. Além disso, se não fixarmos um prazo para a transição, perderemos toda a pressão da urgência no nosso trabalho com o governo afegão. É indispensável que os afegãos entendam bem claramente que terão de assumir plena responsabilidade pela própria segurança, e que os EUA não temos interesse em lutar guerra sem fim no Afeganistão. Como presidente, recuso-me a fixar objetivos superiores às nossas reais responsabilidades, aos nossos recursos e que extrapolam nossos interesses. Tenho de considerar todos os desafios que os EUA enfrentam hoje. Não posso dar-me o luxo de só considerar um deles. Tenho em mente as palavras do presidente Eisenhower, que disse – em discussão sobre nossa segurança nacional –, que “Cada proposta deve ser ponderada à luz de uma exigência superior: a necessidade de manter o equilíbrio em cada um e entre todos os nossos programas nacionais.” Ao longo dos últimos vários anos, perdemos esse equilíbrio. Erramos ao não considerar a conexão entre nossa segurança nacional e nossa economia. Nesse momento da crise econômica, muitos de nossos vizinhos e amigos estão desempregados, com dificuldades para pagar as contas. Há muitos norte-americanos preocupados com o futuro dos nossos filhos. Simultaneamente, a concorrência, na economia global tornou-se mais feroz. Simplesmente não podemos ignorar o preço dessas guerras. Somados, os custos das guerras do Iraque e do Afeganistão, quando assumi a presidência, aproximavam-se de 1 trilhão de dólares. Com o envio de soldados, comprometo-me a discutir abertamente esses custos com honestidade e transparência. Nossa nova abordagem da guerra do Afeganistão custará aos militares aproximadamente 30 bilhões de dólares esse ano; trabalharei com o Congresso para enfrentar esses gastos, ao mesmo tempo em que também trabalharei para reduzir nosso déficit. Mas ao mesmo tempo em que pomos fim à guerra do Iraque e à transição do Afeganistão para a responsabilidade dos afegãos, temos também de reconstruir nossa força interna. Nossa prosperidade é um dos fundamentos do nosso poder. Ela mantém nossos exércitos. Ela oferece respaldo aos nossos diplomatas. Ela estimula o potencial do nosso povo e permite investimento na nova indústria. E ela nos permitirá competir com sucesso nesse século, como competimos com sucesso no século passado. Por isso nosso comprometimento no Afeganistão tem de ter prazo final demarcado – porque a nação que mais me interessa construir é a nossa. Outra vez, quero ser muito claro: nada disso será fácil. A luta contra o extremismo violento não terá fim rápido, e avança além do Afeganistão e Paquistão. Será dura prova pela qual terá de passar nossa sociedade livre e nossa liderança planetária. E, diferente dos grandes conflitos e das claras linhas de divisão que se viram no século 20, nosso esforço envolverá regiões tumultuadas, sem ordem, Estados falidos, inimigos difusos. Então, resultado disso tudo, os EUA teremos de mostrar nossa força, no modo como pomos fim a guerras e evitamos conflitos – não apenas no modo como fazemos guerras. Teremos de ser atentos e preciso no uso de nosso poder militar. Onde a Al-Qaeda e seus aliados tentem estabelecer-se – seja na Somália ou Iêmen ou onde for –, têm de ser confrontados por pressão crescente e parceiros fortes. E não podemos contar exclusivamente com o poder militar, só ele. Temos de investir na nossa segurança nacional, porque não podemos capturar e matar todos os extremistas violentos do mundo. Temos de melhorar e coordenar melhor nossa inteligência, de modo que sempre estejamos um passo à frente daquelas redes obscuras. Teremos de por fim às armas de destruição em massa. Por isso, adotei como um dos pilares centrais de minha política externa impedir que terroristas tenham acesso a materiais nucleares, deter a proliferação de armas nucleares, e perseguir o objetivo de um mundo sem elas – porque todas as nações têm de entender que a verdadeira segurança jamais virá de uma corrida sem fim em busca de armas cada vez mais destrutivas; só terão verdadeira segurança os que rejeitem essas armas. Teremos de usar a diplomacia, porque nenhuma nação que trabalhe sozinha conseguirá vencer os desafios de um mundo interconectado. Passei todo esse ano renovando nossas alianças e forjando novas parcerias. E forjamos um novo começo entre os EUA e o mundo muçulmano – que reconhece nosso mútuo interesse em romper um ciclo de conflitos, e que promete um futuro no qual sejam isolados os que matam inocentes, por ação dos que defendem a paz, a prosperidade e a dignidade humana. Finalmente, temos de partir do fortalecimento de nossos valores – porque os desafios que enfrentamos talvez tenham mudado, mas não mudaram as coisas nas quais cremos. Por isso temos de promover nossos valores vivendo-os em nossas vidas, nos EUA – e por isso proibi a tortura e fecharemos a prisão na baía de Guantánamo. E temos de dizer, com máxima clareza, a todos os homens, mulheres e crianças de todo o mundo que vivem sob a nuvem funesta da tirania, que os EUA falarão em defesa de seus direitos humanos, e estenderão a luz da liberdade, da justiça, das oportunidades e do respeito à dignidade de todos os povos. Isso é o que somos. Essa é a fonte, a fonte moral, da autoridade dos EUA. Desde os dias de Franklin Roosevelt, quando nossos avôs, avós e bisavôs e bisavós serviram e sacrificaram-se, nosso pais suporta uma carga especial nos negócios globais. Há sangue norte-americano derramado em muitos países, em muitos continentes. Consumimos nossa renda auxiliando outros países a reconstruírem-se de ruínas e a desenvolver suas economias. Juntamo-nos a outros para desenvolver uma arquitetura de instituições – da ONU e OTAN, ao Banco Mundial – que promovem a segurança e a prosperidade de muitos seres humanos. Nem sempre recebemos agradecimentos por esses esforços, e vez ou outra cometemos erros. Mas mais que qualquer outra nação, os Estados Unidos da América têm sido fiadores da segurança global por mais de 60 anos – período que, apesar de seus tantos problemas, assistiu à queda de muros, à abertura de mercados, bilhões foram arrancados da pobreza, o progresso científico foi sem paralelo e avançaram as fronteiras da liberdade humana. Porque, ao contrário das grandes potências do passado, não buscamos dominar o mundo. Nossa nação foi fundada na resistência à opressão. Não aspiramos a ocupar territórios ou nações. Não reclamaremos para nós recursos de outros povos, nem atacaremos outros povos por sua fé ou sua etnia ser diferente da nossa. O que sempre buscamos – a meta pela qual lutamos e pela qual continuaremos a lutar – é melhor futuro para nossos filhos e netos. E cremos que a vida deles será melhor se os filhos e netos de outros povos puderem vivem em liberdade, com acesso a todas as oportunidades. (Aplausos.) Como nação, já não somos tão jovens – e talvez tampouco tão inocentes – como quando Roosevelt foi presidente. Mesmo assim, somos ainda herdeiros de uma nobre luta pela liberdade. Hoje, temos de unir toda a nossa potência, toda nossa força de persuasão moral, para superar os desafios de uma nova era. Afinal, nossa segurança e liderança não nos advêm apenas da força de nossos braços. Deriva de nosso povo – dos trabalhadores e comerciantes que reconstruirão nossa economia; dos empresários e pesquisadores que comandarão novas indústrias; dos professores que educarão nossas crianças, e do serviço dos trabalhadores domésticos que trabalham em nossas comunidades; dos diplomatas e voluntários do Peace Corps que disseminam esperança em todo o planeta; e dos homens e mulheres soldados em uniformes que são elos de uma corrente de sacrifício jamais rompida que fez do governo do povo, pelo povo e p ara o povo uma realidade nessa Terra. (Aplausos.) Essa vasta cidadania diversa nem sempre concordará em todas as questões – nem nós concordaremos sempre. Mas sei também que nós, como país, não podemos manter nossa liderança, nem navegar através dos difíceis desafios de nosso tempo, se nos deixarmos dividir pelo mesmo tipo de rancor e cinismo e partidarismo que, nos últimos tempos, tem envenenado nosso discurso nacional. É fácil esquecer que, quando essa guerra começou, estávamos unidos – ligados todos pela memória ainda viva de um terrível ataque e pela determinação de defender nossos lares e os valores que nos são caros. Recuso-me a aceitar a ideia de que não poderemos voltar àquela unidade, renovada. (Aplausos.) Creio com cada fibra do meu ser que nós – como norte-americanos – ainda podemos nos unir em busca de uma meta comum. Porque nossos valores não são meras palavras escritas em pergaminho – são um credo que nos une, e que nos conduziu através da mais terrível tormenta como nação e como povo. Estados Unidos da América – atravessamos tempos de terrível provação. E a mensagem que enviamos em meio dessas tempestades tem de ser clara: nossa causa é justa, nossa decisão é absoluta. Não cederemos. Avançaremos com confiança de que o direito é nossa força, e com o compromisso de forjar uma nação mais segura, um mundo mais seguro e um futuro que represente não o pior dos medos, mas a mais alta esperança. (Aplausos.) Obrigado. Deus os abençoe. Deus abençoe os EUA. (Aplausos.) Muito obrigado. Obrigado. (Aplausos.) – FIM – 20h35 (EST) Tradução: Caia Fittipaldi fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/obama-a-nacao-afeganistao-e-paquistao/
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Magali, bacana! Espero mesmo que tenha curtido o Salão de Humor. Vou dar uma passada pelo seu blog. bjs
Achei muito legal, incusive estive la e fotografei. meu blogue: www.magali.fotosblogue.com
No meu blogue tem tudo do palco (helenahutz.blogspot.com) beijo e té.