Uniban expulsa aluna que 'provocou' tumulto
Escrito por Claudinei Vieira   
Dom, 08 de Novembro de 2009 02:37

 

 

Devo lhes dizer: estou abismado. Deve ser resultado de alguma ingenuidade da minha parte. Eu esperava qualquer atitude por parte da direção da Uniban, embora não fizesse a menor idéia do que eles poderiam fazer para tentar limpar de alguma forma a barra suja que sobrou depois daquela escandalosa manifestação de barbárie. No entanto, minha imaginação não atingia o nível do que eles realmente fizeram.

Penso que eles deveriam estar exatamente assim. Olhando um para o outro e se perguntando 'o que vamos fazer para tentar limpar nossa barra'. Já que era impossível dizer que a coisa não acontecera, ou que o tumulto não foi tão grande assim (diante do vídeo que percorreu a internet não há como dizer que foi pouca coisa), eles tomaram a decisão ainda mais escandalosa e perturbadora: ligaram o 'foda-se' e culparam a garota! Ela está sendo expulsa por que "teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados". "Geisy (Arruda) provocou os colegas ao fazer um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade."

Ela foi a culpada! Ela que deve ser castigada! Ela usou uma minissaia e andou provocativamente, portanto, deve ser escorraçada! Pode ser achincalhada, humilhada, ameaçada de estupro, xingada de puta por dezenas de estudantes, e precisar ser retirada com escolta policial, pois afinal de contas não estava assumindo uma postura compatível com o ambiente de uma universidade. 

Além da aluna, a outra culpada por toda essa situação foi a mídia que "perdeu a oportunidade de contribuir para um debate ’sério e equilibrado’ sobra ética, juventude e universidade". 

E tem mais. É claro. Se você assume a posição aberta e franca de que ela, no final das contas, foi a responsável por tudo aquilo acontecer, a conclusão óbvia é que os alunos que achincalharam, gritaram e ameaçaram, estavam corretos. Pois é exatamente o que a Uniban está dizendo: "a atitude provocativa da aluna resultou em reação coletiva de defesa do ambiente escolar."

Desculpe, permitam-me repetir: "reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Eles estavam preservando a moral e a ética em sua faculdade, pois não estavam conseguindo estudar, pensar, comer, ou sobreviver porque uma aluna teve o descaramento de usar uma minissaia. O que se vê no vídeo portanto é uma reação 'natural' de pessoas preocupadas com sua moralidade dentro da faculdade que estudam.

Apesar de sua 'ação correta', a Uniban diz que suspendeu temporariamente os alunos que participaram do "incidente". Além de ser uma tremenda mentira (eles suspenderam Todos os alunos que vemos no vídeo?!) a disparidade das atitudes chega a ser nojenta: para a aluna da minissaia, expulsão, e para os alunos do 'incidente' (não tumulto; não atitudes bárbaras; não selvageria quase desenfreada. 'Incidente') uma suspensão. Temporária. Aliás, contraditório: por que deveriam ser punidos, mesmo temporariamente, se sua reação foi correta e natural?

Não faço idéia de como Geisy Arruda vai reagir a isso e não tenho a menor pretensão de ditar algum tipo de conduta. Eu só espero que ela possua força e determinação para que a coisa não acabe desse jeito. De qualquer forma, a sociedade tem o dever de apoiá-la, pois caso contrário estará compactuando (do modo mais escancarado e explícito possível) de uma violência direta contra a mulher. Para começar, a OAB bem que poderia oferecer um auxílio jurídico para ela. O Judiciário poderia aprofundar a investigação sobre as condições de segurança no local (e ao que me consta houve outras ocorrências na Uniban, mesmo que não tenham atingido o nível desse tumulto). E os órgãos responsáveis pela educação nesse país (quem seria o responsável? O MEC? O Ministério da Educação?) tem que repudiar a atitude da direção da Uniban e exigir algum tipo de retratação. Para começar.

 

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Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula

Universidade diz que atitude provocativa da aluna resultou em reação coletiva de defesa do ambiente escolar 

estadao.com.br

SÃO PAULO – A Universidade Bandeirante informou em anúncio publicado em jornais paulistas neste domingo, 8, que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda de seu quadro discente. A estudante do curso de Turismo sofreu assédio coletivo no último dia 22 de outubro por ir ao campus de São Bernardo do Campo da faculdade com um vestido curto. O episódio ganhou repercussão na internet após vídeos do tumulto serem postados no ‘You Tube’.

No anúncio publicitário, entitulado ‘ A educação se faz com atitude e não com complacência’ a universidade diz que tomou a decisão após uma sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados. Para a Uniban, Geisy provocou os colegas ao fazer um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade.

A universidade afirma ainda que foi constatado que “a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”. Ainda assim, o conselho superior declarou na nota que suspendeu temporariamente os alunos envolvidos e identificados no incidente. A Uniban também criticou o comportamento da imprensa na cobertura do caso. Segundo a universidade, a mídia perdeu a oportunidade de contribuir para um debate ’sério e equilibrado’ sobra ética, juventude e universidade.

Segundo as cenas e os depoimentos de presentes, o tumulto começou quando a aluna subia por uma rampa até o terceiro andar e os alunos começaram a gritar. Ela ficou trancada em uma sala e, com a ajuda de um professor e colegas, chamou a polícia, que a escoltou até a saída da universidade.

De acordo com a estudante, em entrevista concedida ao estadao.com.br no último dia 30, o episódio começou “como uma grande brincadeira”. Vestida para uma festa que iria naquele noite, ela conta que no início arrancou muitos elogios com seu visual, mas a situação aos poucos inverteu. No intervalo das aulas, um “verdadeiro coral ridículo de gritos de puta” a acompanhou até que deixasse o prédio.

 

in Artigos

 

 

 

Comentários (3)
  • akio  - Uniban
    Agora, é aguardar. Até alguns que participaram acharam exagero expulsá-la. O problema fica maior ainda.
    Abraço
    Akio
  • Tati
    Cá, olha isso depois: http://www.youtube.com/watch?v=snjPDpDg2Pk

    beijo!
  • Claudinei Vieira  - uniban-hitler
    Tati, é incrível como essa cena se presta a tantas versões! Já vi várias, de muitos assuntos diferentes, e cada uma delas é pertinente e muito engraçada. Essa aqui também coube perfeitamente.
    VAleu
    bjs
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