Oscar 2010 goes to... Disconcerts! Obviamente.
Escrito por Claudinei Vieira   
Seg, 01 de Março de 2010 08:59

 

 
 
A cerimônia da entrega do Oscar é a maior festa brega do planeta. É a demonstração cabal e absoluta da boçalidade, babaquice, arrogância e breguice dos norte-americanos elevada à enésima potência e transmitida para o mundo todo. É a vangloriação e endeusamento de uma indústria de importância nacional (cinema nos Estados Unidos é uma questão de Estado) que se impõe e arrocha as demais culturas de outros paises. E eles se adoram se mostrar tão idiotas e prepotentes (através de suas roupas, através de suas falas [as eternas alusões e piadinhas que somente os norte-americanos podem entender e que são o terror dos tradutores simultâneos], através da demonstração escancarada de luxo do mais puro mau-gosto). De vez em quando, tentam adotar uma postura mais ‘séria’, no que se tornam mais ridículos ainda (como quando privilegiaram artistas negros, querendo dizer que o racismo havia terminado, pelo menos no cinema). No entanto, são somente lapsos. No ano seguinte, eles voltam ao normal.
 
E eu adoro! Sou viciado. Há muitos anos não perco um sequer. E faço todo o cerimonial: assisto todos os filmes indicados, pego as listas, faço os palpites, vou marcando à medida que os ganhadores são anunciados para saber se acertei ou não, tudo envolvido com bastante pipoca e coca-cola. Infelizmente, minha pipoca é feita com óleo normal de cozinha ou manteiga, ao invés da gordura de porco entupida de colesterol utilizada pelos norte-americanos, mas tudo bem, nem tudo é perfeito.
 
Algumas pessoas, alguns amigos, se surpreendem e indagam como eu, que tenho uma certa inteligência e um certo bom-gosto e um certo discernimento e gosto de cinema europeu, chinês, coreano, iraniano, brasileiro, e filmes-de-arte (seja lá o que isso for...) e independentes, perguntam como posso gostar de cinemão norte-americano. 
 
Bueno, eu poderia responder que minha cultura cinematográfica foi totalmente moldada e construída pelo cinema de Hollywood desde a minha mais tenra infância, através dos cinemas de bairro e pela televisão (aliás, também sou fanático pelas séries e sitcoms), e que isso não me impede de apreciar outros tipos de propostas e idéias. Poderia responder também que, na verdade, há sim muita coisa boa neste cinemão, nem que seja pelo mais absoluto desejo de simplesmente se evadir da realidade com filmes idiotas, pois isso também é uma função primordial do cinema (perdão aí para os que acham que cinema só pode ser de arte [seja lá o que isso for] e ‘cabeça’). Poderia responder inclusive que isso também não me impede de perceber toda a carga da questão político-ideológica que o cinema norte-americano carrega e que é tão bem expressa pela cerimônia.
 
Poderia acrescentar que, fora esse lado escapista e de pura diversão (afinal está-se falando de uma indústria assumida dedicada ao entretenimento), entre o muito do que é produzido algo escapa e, vez em quando, obras impressionantes acabam sendo produzidas. Em geral, esse último tipo não é representado nem reconhecido pelo mercado dos Estados Unidos e dirige-se para os seus nichos específicos, como os festivais independentes, ou temáticos. Mas, ás vezes se impõem ao stablishment hollywoodiano e se destacam. 
 
Poderia responder e acrescentar tudo isso. E em geral é o que faço. Mas agora só na próxima segunda-feira. Depois da entrega, neste domingo, dia 07 de março. Com licença, agora vou verificar se estou devidamente abastecido de milho pra pipoca.
 
*
 
Como se sabe, a entrega do Oscar este ano está com várias modificações, nesta sua eterna e quase sempre frustrada tentativa de tornar a cerimônia mais leve e divertida, menos chata e solene. A categoria de Melhor Filme está com dez indicados, como era hábito há muitos anos atrás, embora todos saibamos que somente dois estão disputando de verdade, 'Guerra ao Terror' e 'Avatar'. Os demais servem só como vitrine para melhorar os negócios (a mera indicação do filme já valoriza tremendamente a produção e serve como moeda de troca para futuras negociações) e também para dizer que Hollywood presta atenção a todos os tipos de cinema. 
 
Desta vez, não haverá mais a execução das músicas indicadas à melhor canção, o que deve dar um certo ganho de tempo para encurtar a cerimônia (e o gasto de produção), mas duvido que isso seja sentido ou sequer lembrado pela noite como um todo. A única idéia que considerei realmente interessante (falta saber se será eficaz) é a tentativa de se acabar com o momento mais terrivelmente chato, arrastado e constrangedor de todo o Oscar: os agradecimentos. Para a noite de 07 de março, os ganhadores subirão para receber o prêmio e dizer somente o quanto isso foi importante. Depois de descer do palco, falarão para uma câmera exclusiva e dedicada para os agradecimentos formais, pessoais e familiares e aí poderão falar dos pais, das mães, dos amigos, dos produtores, dos periquitos e afins, e este depoimento será disponibilizado pela internet. Ok. Sem comentários. Vamos ver o que vai acontecer.
 
A apresentação será dividida este ano entre Alec Baldwin e Steve Martin e, apesar de curtir sua presença, vou sentir falta de Hugh Jackman que no ano passado me surpreendeu e fez uma das melhores apresentações de que tenho memória. Uma pena que não esteja de volta. 
 
*
 
É isso. Daqui a pouco falarei dos filmes, farei meus palpites e firmarei minha torcida. 
 
 
 
in Cinema
 
 
 
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