| Despejo |
| Escrito por Claudinei Vieira |
| Sex, 18 de Dezembro de 2009 11:13 |
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Uma bela noite cheguei em casa e descobri que todos os móveis haviam sido mandados embora. Não foi nenhuma surpresa. Meu irmão há muito estava querendo vender o apartamento e minha presença não ajudava nada. No dia seguinte, chegaram os pedreiros para a reforma geral. Houve um certo momento de constrangimento ao me encontrarem deitado no chão acarpetado do quarto. Sai e os deixei à vontade. Quando voltei, o carpete havia sido retirado, as armações de madeira montadas, as latas de tinta abertas, as paredes meio pintadas. Dormi na sala, no carpete de madeira.Fui, assim, morando em diversos cômodos, à medida dos trabalhos. Ás vezes, conversávamos, falávamos de futebol (que eu detestava), dos programas de auditório de televisão (que eu abominava), de política (que eles odiavam). Uma ocasião me pagaram o almoço, um filé com fritas no bar em frente.
Dessa forma, fui percebendo que eu teria que sair dali.
(um tempo depois, li o romance autobiográfico de Aleksandar Hemon, onde ele descreve essa mesma situação quando ele chegou nos Estados Unidos vindo da Bósnia. Não posso fazer nada. O plágio foi do destino)
Quando a reforma acabou, o apartamento era outro. As marcas da minha passagem nos últimos meses haviam desaparecido. Estava frio, vazio e desconfortável para quem só dispunha de um saco de dormir e algumas roupas, mas muito bonito. Meu irmão podia e devia tirar um bom dinheiro de sua venda. Foi o que eu disse à corretora que venho fazer a avaliação. Não ficou surpresa com minha presença; na certa já tinha sido bem avisada. Era uma ruiva baixinha e um tanto gorduchinha, gostosinha, vestida com sobriedade, com uma saia discreta e taileur cinza. Lembrava um pouco a Dana Scully. Cumprimentei-a efusivo ao abrir a porta e passei a comentar cada detalhe de todos os cômodos, a história dos encanamentos, o velho problema com a instalação elétrica que havia sido consertado, a ótima localização no bairro apesar do aumento visível dos mendigos e da violência, embora, é lógico, uma coisa não implique na outra.
Espero não ter dado a impressão de termos conversado. Durante a meia hora em que esteve lá, ela não deu nenhuma demonstração de não ser muda. Ao ir embora, soltei um tchau caloroso e um 'depois a gente se fala mais'.
No dia seguinte, foi a vez do esperado chaveiro chegar para trocar a fechadura da porta. Com esse, bati um bom papo, ficamos amigos, ele me pagou um cafézinho e eu fiquei com uma cópia da chave.
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Comentários (2)
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Oi Claudinei gostei muito de sua apreciação do meu trabalho. A Ana Rusche me enviou o link e na verdade fiquei emocionada com s... - 28-06-2010___ Claudi...
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oi, claudinei, é até engraçado achar que essas mulheres são bobas e que poderiam "virar a mesa" se quisessem... [e a... - 30-05-2010___ Natali...
Gosteii pois mostra Que as Pessoas são todas iguais!Eu era muiito racista hoje vejo que sou igual a todos e que Racismo é para... - 25-05-2010___ lian
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ai, claudinei, me deu vontade de ler novamente... puxa, até me lembro do gosto do que comia no momento em que abri o mrs dallow... - 19-05-2010___ Samant...
Podería nos informar os telefones de contato da Editora que imprime a Revista Artigo 5o ??? Aguardo retorno !!! Abraços e ob... - 18-05-2010___ Claudi...
Magali, bacana! Espero mesmo que tenha curtido o Salão de Humor. Vou dar uma passada pelo seu blog. bjs - 18-05-2010___ magali
Achei muito legal, incusive estive la e fotografei. meu blogue: www.magali.fotosblogue.com - 12-05-2010___ Helena
No meu blogue tem tudo do palco (helenahutz.blogspot.com) beijo e té.

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E o pior é que há muita gente nessa situação, só que sem a sorte desse personagem sutil que tem uma lábia e tanto. Até imaginei que esse irmão, o dono do imóvel seja um simulacro. E a mulher parecida com Dana Scully seja a sua nova irmã, ou quem queira, uma esposa.
Abraço
akio