QUADRIX. Johnny Cash em quadrinhos. Y mas.
Escrito por Claudinei Vieira   
Ter, 06 de Outubro de 2009 04:37

the flash
 
 
notas rápidas sobre o que está rolando de desconcertante em hqs 
 
 
 
 
quadrix
 cash em hq
 
O camarada Wilson Vieira, quadrinista respeitado e reconhecido internacionalmente, dá o toque, do lançamento de uma nova editora de quadrinhos brasileira, totalmente produzida por autores e desenhistas nacionais, a QUADRIX, dirigida por Alex Magno. Bela notícia, que está vindo nessa boa nova onda de crescente respeito pelas HQs realizadas no país, considerando aí a quantidade de trabalhos, fanzines, produções independentes, além do interesse que as grandes editoras estão começando a demonstrar. Ainda vai um bom caminho, penoso e suado, para que este reconhecimento realmente aconteça de verdade, e iniciativas como a Quadrix são espetaculares nesse sentido. Para já começar a dizer a que veio, pesco no site da editora, a seção 'Graphic Novel com temas Brasileiros: Sertão Selvagem', por onde estarão abertos a trabalhos para serem avaliados, com vistas a publicação: "Informações importante sobre participação: Sertão Selvagem não é um concurso de eliminação ou algo do tipo. A Quadrix está de portas abertas para receber material de qualquer interessado. Evidentemente que a equipe editorial irá selecionar as histórias para os Volumes de Sertão Selvegam. Contudo, os demais trabalhos enviados para nossa redação serão devidamente arquivados para os próximos volumes da Série Sertão Selvagem. Todos poderão enviar seus trabalhos desde que respeitando as condições exigidas pela equipe editorial" Para maiores detalhes, informações, contato, é só entrar no site)
 
 
fiq
- começa hoje, dia 06, e vai até o dia 12 de outubro, a VI FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, Minas. De todo o manancial facilmente imaginável de atividades, lançamentos, bate-papos, conversas com autores e discussões que rolarão por esses dias, terei que ser injusto e fazer um destaque que me chamou muito a atenção: a presença do alemão Reinhard Kleist, autor da biografia em quadrinhos "JOHNNY CASH: I SEE A DARKNES". Lançada em 2006 em Berlim, a biografia pretende focar um lado mais sombrio e não menos passional de vida de Cash, algo referido só tangencialmente por aquela cinebiografia insossa (não exatamente ruim, só sem graça) produzida pouco depois da morte do cantor. Narrativa gráfica escrita e desenhada por um autor inusitado (devo dizer que eu não conhecia antes, ignorância plena minha; há uma breve biografia de Kleist no site do Instituto Goethe que me deu uma certa luz sobre suas tendências góticas e sobrenaturais, muito interessante) sobre uma figura que bem merece uma visão mais apaixonada e, talvez, delirante. Este livro aguardo com gosto.
 
Para ver a programação completa do FIQ: http://www.fiqbh.com.br/ 

 
aya
 
 
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Ao pensar no termo 'África' de forma genérica, a tendência natural é sempre se lembrar de suas tragédias: dos enormes bolsões de miséria, a fome, a corrupção, guerras, Aids, violência. Tendência inevitável até certo ponto. Não são clichês, são problemas reais, prementes, urgentes de soluções.
 
Acontece que 'África' não é somente dor e problemas. Marguerite Abouet promove uma virada de cento e oitenta graus e nos mostra uma outra realidade, tão viva e presente tanto quanto as dores, e por ser tão ... óbvia e simples acabamos esquecendo que também existe. 
 
'Aya de Yopougon', é a crônica do cotidiano de três adolescentes, Aya, Bintou e Adjoua, nessa vila, Yopougou, na Costa do Marfim, que transitam e convivem com questões de um dia-a-dia que não contrastam com as preocupações de nenhum adolescente de outro país: namorados, lições escolares, brigas familiares, festas, o que farão e como serão no futuro.
Marguerite Abouet
 
Baseado livremente nas lembranças da própria autora (Yopougon realmente existe, é a cidade natal de Marguerite Abouet), a obra ganhou o prêmio de melhor álbum de estreia no Festival Internacional de HQ de Angoulême, em 2006. Uma história lírica, movimentada, muito bem humorada, que encontrou suas imagens perfeitas nos traços agéis e coloridos do artista francês Clément Oubrerie.
 
Confesso que não acreditava que 'Aya de Yopougon' pudesse ser publicada no Brasil. Uma frustração que ocorre naturalmente em quem gosta de ficar sabendo o que acontece pelo redor do mundo em matéria de cultura, e no caso mais específico de histórias em quadrinhos, é ver o quanto surge de material vivo e de excelente qualidade lá fora que nunca chegará perto das fronteiras brasileiras. É uma dor no coração. A própria África (assumo que estou generalizando aqui) está vivenciando um tremendo crescimento (em alguns casos, formação) de uma cultura de histórias em quadrinhos (a tal ponto que mereceu há uns dois anos atrás uma mega-exposição no centro de Nova York) (lembro vividamente da capa de uma revista exposta que denunciava a abominável prática da circuncisão feminina, uma mulher carregando sua filha, com o sangue escorrendo da mutilação vaginal ainda fresca).
 
Quando soube que 'Aya' ia ser publicada pela LP&M Editores, só podia ficar muito contente, de verdade. Eu imagino (por enquanto, é só uma suposição) que isso possa ser reflexo do impacto e do sucesso de 'Persépolis', de Marjane Sartrapi, que abriu caminho para uma certa espécie de auto-biografia em quadrinhos de pessoas ligadas a países e regiões do planeta cujas informações sempre nos chegam um tanto truncadas e desvirtuadas. Entre 'Persépolis' e 'Aya de Yopougoun' há muitos pontos de ligação. Apesar dessas similaridades de suas motivações, quero deixar claro que considero os resultados de cada uma das obras muito diferenciadas, com caráter, linguagem e personalidades muito próprias. Não estou sugerindo nenhuma imitação. 
 
Ao contrário. Ao lirismo dramático e pungente de 'Persépolis', 'Aya de Yopougoun' contrapõe com colorido, vivacidade, humor, nostalgia. Bela edição, belo lançamento.  
 
 
 
 
 
Comentários (8)
  • Hijak  - CRUMB
    pq nao vejo nada sobre o Crumb aqui?
  • claudinei vieira  - biblia
    Crumb tem que ser post a parte. Tá vindo aí a Bíblia desenhada por ele, começando pelo Gênesis!
  • Wilson Vieira  - Obrigado, meu amigo Claudinei...
    Obrigado por sua fabulosa dica...continuamos na luta, pela HQB.
    Abração,

    Wilson
  • claudinei vieira  - hqb
    Maravilha, Wilson. A luta é boa, vale a pena ser travada. grande abraço!
  • Editora 8INVERSO  - Johnny Cash no Brasil
    O livro de Reinhard Kleist, "Johnny Cash - uma biografia", biografia em HQ de Johnny Cash, foi lançada oficialmente ontem no Brasil pela editora gaúcha 8INVERSO em evento com o autor - http://www.8inverso.com.br.
  • claudinei vieira  - Cash
    opa, pessoal da 8INVERSO, espero que o evento tenha sido o máximo!. Parabéns pela publicação e pela iniciativa.
  • Doris Pantaleoni  - Johnny Cash - I see a darkness
    Gente, este Graphic Novel foi lançado no Brasil dia 19.10.2009, com a presença do autor em Porto Alegre no Goethe.Traduzido do alemão diretamente para o português.Disponível para compra no site da Editora 8INVERSO. Acesse 8inverso@8inverso .com.br
  • Claudinei Vieira  - cash
    Doris, ainda não li a graphic sobre o Cash. Quando rolar, com certeza vou fazer uma resenha aqui. VAleu. bjs
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