Orbe na Trama

Entrevista do ORBE, de Hijak Skank e Orbe Petrus, para a TRAMA VIRTUAL. Garanto que não é preciso gostar de música eletrônica, não precisa gostar nem mesmo do grupo e do seu som, para curtir (e muito) essa entrevista. Como tudo que Hijak faz (não conheço Petrus) sua ironia afiada e cáustica, uma espécie de inteligente zoeira sarcástica profunda sem deixar de ser autêntica e verdadeira (um paradoxo que só o Hijak pode explicar) (ou não) (ou talvez nem seja um paradoxo) está completamente presente aqui.
Holofote – Orbitando em campo aberto
por Claudio Szynkier
Orbe é projeto eletrônico irreverente com boas (e um tanto campestres) sacadas musicais
13/01/2010
Ainda no ano passado, gostamos de uma música de um projeto eletrônico do qual nunca tínhamos ouvido falar. "Cantando no Capão" tem nome absolutamente coerente com o tipo de atmosfera de fim de tarde em uma primavera campestre e friazinha qualquer. É, na verdade gostamos muito sim da esperta ironia e, mais do que os timbres, do senso pop alcançado com pianos e beats standard nessa faixa. Daí que fomos atrás de quem, ou da entidade, que fez isso, e aqui está nossa entrevista-investigação com o Orbe.
União de um pernambucano com um polonês, o duo diz gostar de Angela Maria e Daft Punk, e está procurando novas propostas exóticas para apresentação:
"Já rolou algum show?
Sim, mas não chamaria de show no sentido ortodoxo da palavra, se você acha que tocar enquanto uma performer é costurada com pérolas e linha cirúrgica pelo parceiro... então beleza." - prova de que, realmente, o campo de oportunidades na música eletrônica está até que bem aberto.
Como surgiu?
Trabalhamos com informática há muito tempo, somos daqueles nerds de seriado americano que passa na sessão da tarde, tipo, canetas no bolso e óculos cafona, fazer o quê.... Pra relaxar e esquecer os bits (só por alguns segundos) resolvemos montar o ORBE, eu Hijak, tocava (jazz) saxofone, clarineta e flautas diversas o Petrus sempre tocou baixo e guitarra em bandas de garagem. Cansamos de música cerebral e o ORBE veio para expurgar nossos pecados cometidos em arranjos pretensiosos e que só nossa mãe curtia. Agora é nós dois e dois notebooks cheios de VST.
Qual foi a exata inspiração para surgir?
A única banda que gostamos em comum é o Daft Punk o resto é pura divergência, tirando os bregas do passado que fazem parte de nossa memória afetiva. Apesar de curtimos alguns gringos que fazem eletrônica, achamos os brasileiros bem melhores, só perdemos no quesito tecnologia, os caras tem dinheiro para comprar equipamento, nós ficamos com a imaginação...
Quem toca no Orbe?
Hijak Skank e Orbe Petrus - Um polonês que veio pro Brasil com um ano e um pernambucano.
Principais influências, de ontem e hoje
Odair José, Daft Punk, Blush, Evaldo Braga, Bartô Galeno, Led Zeppelin, Nusrat Fateh Ali Khan, Lady Gaga, Prince, Nação Zumbi, Angela Maria e por aí vai...e afirmamos que não somos "posers" não senhor, gostamos mesmo dos supra citados, escutamos o tempo todo e outras coisas como indie inglês e algumas coisas da África e Ásia. Juro que é complicado falar de influência, nós dois somos suscetíveis pra cacete e toda hora gostamos de algo diferente, eu tenho feito um pouco de Chip Tune e o Petrus curte muito grupos de Rap nacionais...Tudo vira música no final.
Como define o som?
Sem definição e sem pretensão, produzimos, nossas mulheres dançam, nossos amigos dizem "Caraca" e tá bom demais.
Você tem algum CD ou EP gravados? Conte
Temos um EP pela Brechó Discos, um baita selo que lança Punk da melhor qualidade em Salvador - BA, eu praticamente me convidei para lançarmos por lá e o Wilson Santana que é tão punk que teve coragem de lançar um grupo de música eletrônica num selo não eletrônico..topou de pronto. Segundo ele o povo baixa bem o EP. Não ligamos para números. Estamos preparando o segundo EP "Music for Kids", deve ser depois do carnaval.
O que fazer para dar certo? E o que significa dar certo no seu caso?
Sem essa de dar.... Nosso release conta que nossa pretensão é não ter pretensão, fazemos por diversão e é claro que se a Globo aparecer com um contrato para lançar algum disco nosso no Faustão ou o Raul Gil convidar a gente, já era... Tudo é diversão pra gente, pra quem trabalha mais de 10 horas por dia com informática, qualquer outra coisa vira pura diversão. E sinceramente, sabemos que esse "dar certo" é ter que "dar as pregas pra alguém" e isto é a única coisa que não topamos, adoramos o som comercial que toca por aí , nada contra, só não admitimos palpite, pressão e alguém dizendo o que fazer na nossa música. Já temos bastante disto no trabalho e na vida com as "patroas".
Qual é a "cena" de vocês? Como ela se define? Com quem vocês tocam?
Nossa "cena" é a que nos chamam para tocar, que vai desde bar gay a freak show, sarau literário, festa em sítio de amigo doidão, rave em minas gerais, Bar Mitzvah etc e tal. Sentimos muito prazer no que fazemos, é uma droga, praticamente.... Tem uma coisa, não gostamos de "turma" e não achamos que nos enquadramos em alguma cena em particular, somos rapazes educados e simpáticos e saberíamos passar despercebidos por qualquer uma delas, mesmo por que quem fica na frente é nossa música, nossas figuras não interessa. Achamos um saco essa ordem estabelecida: 1º Ego-música, 2º Dinheiro e 3º a coitada da música.
Já rolou algum show?
Sim, mas não chamaria de show no sentido ortodoxo da palavra, se você acha que tocar enquanto uma performer é costurada com pérolas e linha cirúrgica pelo parceiro... então beleza.
Planos para o futuro
Gravar e distribuir muita música na "faixa" e tocar em tudo quanto é lugar que aceitaram a gente, desde que não seja em horário comercial... Temos contas para pagar.
Comentários (1)
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Vc eh mto generoso....vlw mesmo.