Início Poemagens Poetas, Elas, Poetas

Poetas, Elas, Poetas

 
 
 
CUIDADO
Luana Vignon
 

Foi o que eu disse:
Cuidado,
eu sempre aposto em perdedores.
Logo eu,
que nunca imaginei a convivência pacífica
entre mim e uma garrafa de tequila.
Ficamos assim,
cara a cara
sem uma acabar com a outra
faz dias.
E têm essas escolhas absurdas,
o destino é um albino meio maluco
vestido de cowboy
gritando 22
dois patinhos na lagoa.
Bingo. Eu digo.
E saio sacudindo os cabelos,
inventando um novo jeito de andar dentro de casa.
 
 
 
*
 
 
O PEQUENO HITLER
Kátia Borges
 
 
A verdade é uma só:
todo mundo traz o menino de Branau
confinado dentro de si
em um bunker imaginário.
E todo sonho que temos,
seja entrar para a academia de artes,
ou possuir a espada de Longino,
é o marido de Eva Braun,
o arquiteto do caos,
que queima em nosso peito.
Pois também ele sonhou
na abadia de Lambach,
servir a Deus e ser bom.
E todo sonho que temos,
seja planejar uma cidade
ou comandar um exército,
é o dono do cão Blondi,
o filho de Klara e Alois,
que ruge dentro de nós.
Pois ele também sonhou
certa tarde no Museu de Hofburg
ter a lâmina da vida nas mãos.
E todo sonho que temos,
seja eternizar-se na memória
ou liderar uma nação,
é o plagiador de Blavatsky,
o falsificador de Nietzsche,
o criador de Treblinka
e de Auschwitz-Birkenau,
que grita dentro de nós.
 
 
 
*
 
 
O LOBO
Elaine Pauvolid
 
 
Quando o lobo se escondeu
por trás da fornalha,
cinzento se mostrava em neve fria.
O pêlo contornava os olhos fitos,
e em mim jorrava
uma culpa incontrolável.
 
À antecipação de ser devorada,
rápido, sem ser vista,
ansiei por estar noutra vida.
E o lobo olha-me
reto, nenhum pêlo move,
até que já não deixa de mostrar-me os
       dentes.
Caído sobre agora,
as presas estraçalham-me o rosto,
meus membros são seu osso.
E, num último hálito, inspiro
o ar quente e tranquilizante do seu
       focinho.
 
 
*
 
 
Ana Peluso
 
 
porque não há parecer que justifique a sentença da vida
 
porque as nuvens não falam, nem com pássaros, nem aviões
 
 
porque não há caminho que sobreviva aos pontos cardinais
 
nem meridianos que suportem a rigidez estúpida das horas
 
porque não há uma lágrima capaz de subverter a dor
 
 
 
porque não há nada que vislumbre o amanhã
 
antes do ontem
 
      a vida se estende
 
       vadia
 
       entre estados de graça
 
       e de des
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Comentários (1)
  • elaine pauvolid
    que delicia ver meu poema aqui
    beijos
Escrever um comentário
Your Contact Details:
Comentário:
Security
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved."

Últimos Comentários
RSS Feeds