Pinóquio, o caçador de vampiros
Escrito por Claudinei Vieira   
Seg, 10 de Agosto de 2009 04:55

Mais do que simplesmente reciclar velhos clichês, algumas idéias que mexem com antigos clássicos podem até ajudar a valorizar os trabalhos originais, além de poderem ser extremamente divertidos. Estou lembrando de dois exemplos agora que são, no mínimo, inusitados.
 
 
'Eu sou Pinóquio. Eu mato monstros'.

O eterno menino de madeira está mais sozinho do que nunca. Seu avô e criador, Gepeto, morreu de um ataque de vampiros. E agora vai em busca de vingança matando todos os sugadores de sangue (e aqui não estou me referindo ao Sarney nem ao Serra) que encontra pela frente. Pensando bem, ele é realmente um caçador ideal: além de não possuir sangue nem precisar dormir, basta contar uma mentira e pronto!: quebra um pedaço do nariz que acabou de crescer e está com uma estaca instantânea. Tudo bem que, por ser um brinquedo de madeira, há algumas desvantagens: pode ser facilmente quebrado (embora não comido), a chuva pode deixa-lo mofado, e o fogo então é terrível!
 
Os perigos possíveis são muitos, no momento estou só especulando pois este Pinóquio, escrito por Van Jensen e desenhado por Dustin Higgins está acabando de ser produzido, com previsão de publicação em setembro, nos Estados Unidos. 
 
(Para os mais velhos, vai ajudar também a acabar com a lembrança de um antigo desenho animado de produção japonesa do Pinóquio que passava direto na televisão. Um desnho que juntava todos as possibilidades melodramáticas e choramingosas imagináveis, onde o Gepeto sofria o diabo com as inconsequências do seu boneco e cada episódio forçava as misérias ao mais alto grau. Até hoje lembro, como em pesadelo, do Pinóquio gritando com angústia e desespero pelo seu avô ('vovôôziiinhoooooooo'!). Arre. Que venha logo setembro.)

E isso aqui é sensacional. Lançado em março desse ano, os respeitáveis personagens criados há séculos por Jane Austen, desfilam em uma bucólica Inglaterra rural do começo da Revolução Industrial, e precisam se preocupar com suas dificuldades financeiras do dia a dia, em encontrar seus verdadeiros amores, brigar contra a hipocrisia social, conseguir um casamento ideal, e matar os zumbis que estão infestando os campos à procura de cérebros para comer. 

Escrito por Seth Grahame-Smith e recheado de ilustrações que imitam os desenhos originais do livro de Jane Austen, 'Pride and Prejudice and Zombies', fez um tremendo sucesso em terras norte-americanas, já garantiu continuidade com mais dois livros ('Razão e Sensbilidade e os Monstros do Mar', e o próximo projeto parece ser um Abraham Lincoln caçador de vampiros), vai virar uma revista em quadrinhos e está sendo realizada já sua versão cinematográfica. 

Seth Grahame-Smith não reescreve todo o livro. O que ele faz é pegar o texto original da Jane Austen e inserir trechos e cenas do contexto dos zumbis. Dessa forma, ao lado de descobrir quem vai casar com quem, ainda há lutas de espadas, cenas de sangue de esfaqueamento, mutilações. Um tema que divide as famílias, por exemplo, além de sua casta social, são os métodos de luta: enquanto uma família segue a tradição japonesa do manejo de adagas, a outra prefere a linha japonesa. E por aí vai.

Eu não sei. Se a coisa toda não for realmente muito bem feita, pode ser uma tremenda besteira e uma pura perda de tempo. Mas acho que, pelo menos, a idéia é muito divertida. No mínimo, essa capa já tá valendo uma olhada.
 
 
 
Comentários (2)
  • akio  - O retorno
    Um bom retorno, Claudinei. A sua ausência foi notada por muitas pessoas que acompanham o seu blog com um belo visual.
    Prazer em revê-lo.
    Akio
  • Claudinei Vieira
    Maravilha, Akio. Eu tou
    voltando, aos
    poucos. E é sempre muito te ver por aqui. VAleu!
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